Ondas de calor, enchentes, estiagens e deslizamentos podem pressionar os serviços municipais e aumentar a demanda sobre a rede de saúde. Planejamento e atuação integrada são essenciais para reduzir os impactos.

Os municípios estão entre os primeiros a sentir os efeitos dos eventos climáticos extremos. E, diante da previsão de condições associadas ao chamado Super El Niño, o alerta para as prefeituras é claro: é preciso se preparar antes que os problemas aconteçam.

As ondas de calor previstas para este semestre e para o início de 2027 podem provocar impactos significativos na saúde da população. Segundo alerta apresentado pela diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, Agnes Soares, o aumento das temperaturas pode elevar os atendimentos por desidratação, doenças cardiovasculares e respiratórias, além de agravar quadros de doenças crônicas.

Crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis. Também existe preocupação com o aumento do risco de dengue e outras arboviroses.

O impacto chega diretamente aos serviços municipais

Quando ocorre um evento climático extremo, a pressão não fica restrita à Defesa Civil. Saúde, Assistência Social, Obras, Meio Ambiente, Educação, Serviços Urbanos e outras áreas precisam atuar de forma coordenada.

O principal risco é a sobrecarga da estrutura municipal, especialmente da rede de saúde, que pode receber um volume de atendimentos acima da capacidade normal.

Por isso, o planejamento não deve começar somente quando a emergência já estiver instalada. É necessário identificar previamente os grupos vulneráveis, mapear estruturas disponíveis, definir responsabilidades e estabelecer protocolos para situações de emergência.

Medidas simples podem fazer diferença

O enfrentamento das ondas de calor não depende exclusivamente de grandes obras ou investimentos. Algumas medidas de baixo custo podem contribuir para proteger a população, como a instalação de bebedouros, ampliação de áreas sombreadas, criação de espaços climatizados para pessoas vulneráveis e incentivo a soluções como telhados verdes ou telhados com maior capacidade de refletir a radiação solar.

Outras ações de adaptação também podem ser incorporadas ao planejamento urbano, como áreas verdes, jardins de chuva e espaços que funcionem como refúgios climáticos.

A lógica é simples: quanto maior a preparação, menor tende a ser o impacto sobre a população e sobre os serviços públicos.

Guia orienta municípios sobre eventos extremos

Nesse contexto, a Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou o Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos.

O material foi elaborado para auxiliar prefeituras, secretarias e equipes técnicas na preparação e resposta a situações como enchentes, estiagens, deslizamentos e ondas de calor.

Um dos pontos importantes do guia é a definição do papel de cada secretaria e a necessidade de atuação coordenada por meio de um gabinete de crise, permitindo que as decisões sejam tomadas de forma rápida e integrada.

Preparação deve fazer parte da gestão municipal

Os eventos climáticos extremos exigem que os municípios avancem de uma postura predominantemente reativa para uma atuação baseada em prevenção, planejamento e gestão de riscos.

Para os gestores municipais, isso significa revisar planos de contingência, fortalecer a Defesa Civil, preparar a rede de saúde, identificar a população mais vulnerável, definir fluxos de comunicação e integrar as diferentes secretarias.

Também é importante aproveitar os períodos sem emergência para realizar exercícios, revisar protocolos e verificar se equipamentos, veículos, abrigos e equipes estão realmente preparados para serem mobilizados.

O enfrentamento das mudanças climáticas já faz parte da realidade da gestão pública municipal. Antecipar riscos não é apenas uma medida de prevenção: é uma estratégia para proteger vidas, preservar serviços essenciais e reduzir os custos das emergências.

Baixe gratuitamente o Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos: Guia da Associação Brasileira de Municípios

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